“Triste, louca ou má
Ela quem recusar
Seguir receita tal
Do marido, da família
Cuida, cuida da rotina…”

Francisco, El Hombre – Triste, louca ou má

A letra desta música nos remete a uma cena ainda familiar: mulheres que ainda são definidas pelos lugares sociais que esperamos que ocupem – se casarem, terem filhos, cuidarem da casa, da rotina. Tristes, loucas ou más aquelas que se recusam a isso, que fogem desse destino ou que, ao escolherem esse caminho de forma consciente, querem também cuidar de si e se priorizarem nessa equação.

Ao lado da expectativa social sobre que lugar as mulheres devem ocupar, temos notícias que nos chegam com assombro – mulheres sendo mortas por seus parceiros, mulheres sendo espancadas, violentadas, humilhadas das mais diversas formas. Notícias que parecem pontuais e isoladas, mas que na verdade são apenas sistematicamente esquecidas para dar lugar a outras e outras e outras… São casos recorrentes por fazerem parte do mesmo problema:  o lugar de negação e de silenciamento a que as mulheres ainda são submetidas. Os salários ainda mais baixos que dos homens, a alta incidência de assédios e abusos de todo tipo, tudo isso intensifica ainda mais o cenário de violência. Por vezes, o único lugar em que a mulher é considerada grande e absoluta é na maternidade, cujo trabalho é intenso, não pago e, se feito de forma solitária, gera grande sofrimento psíquico.

A Psicologia vai nos dizer que a definição do nosso jeito de ser, da nossa personalidade e escolhas não é algo determinado internamente, por fatores intrínsecos àquele sujeito. Mas se define a partir das características biológicas e da história pessoal em interação com a cultura e com as relações sociais. Somos seres sociais. Como diria Simone de Beauvoir,  “não se nasce, se torna mulher”. E isso é libertador.

Não estamos destinadas a nada que nos oprima, ainda que seja extremamente difícil romper com relacionamentos e situações opressoras. Tomar consciência disso é um passo importante para buscar ajuda e novas formas de viver. Nossa identidade como mulheres se reconstrói a cada dia, em cada conversa que temos com outras mulheres, em cada decisão de fazer hoje algo por nós mesmas.

Deixo aqui essa provocação: querida mulher, o que te define? E deixo também a mão estendida. Saiba, você nunca está sozinha.

Fabiana Nasciutti
Psicóloga e Mestre em Psicologia
Doutora em Educação
Educadora Parental

Psicóloga e Mestre em Psicologia

Doutora em Educação

Educadora Parental

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