No Brasil, novembro é o mês da Consciência Negra. Esse tema poderia passar batido neste blog, se não fosse a urgência de pessoas como eu analisar seus privilégios e refletir onde nós podemos somar nessa luta.

O Brasil tem uma dívida histórica. E a negação a ela é uma das coisas mais tristes do nosso país. Olhando nossa história, quantos privilégios e condenações acontecem todos os dias por causa de reparos que deixamos de fazer!

As questões raciais e sociais se misturam. Dois estudos estimam que foram trazidos entre 2 e 3,6 milhões de negros africanos para o país durante o período da escravidão e em nenhum momento houve política de reparação de danos. 

Sabe o que isso quer dizer? Que quando a escravidão acabou, os ex-escravos se tornaram “miseráveis livres”, marginalizados por uma sociedade que em grande parte sentia antipatia pelo fato de terem perdido seus serviçais.

O tempo passou – 131 anos para ser exata – e ainda temos que explicar que cota não é ajuda. Que é o início do conserto de nossos erros históricos – e não privilégios como dizem alguns. Que o racismo se veste de “opinião”. Que olhares cheios de julgamentos superficiais enojam. Que frases potencialmente racistas não são problemáticas, são crimes!

Precisamos pedir para que olhem para os lados e observem quão poucos negros frequentam os lugares caros, às escolas de máxima qualidade. E não. O privilégio não é exatamente esse.

Privilégio é não ser tratado como bandido por causa da sua cor. Privilégio é saber suas origens porque eles entraram em um navio por livre e espontânea vontade. Privilégio é ter problemas pequenos tratados como problemas imensos enquanto questões mínimas como saneamento básico ainda faltam para tantos no Brasil. 

Privilégio é vestir como se gosta e não ser julgado como ladrão por isso. Privilégio é ouvir o que se gosta sem medo da criminalização – do funk, da pobreza, da cor.

Enquanto pessoas morriam em Paraisópolis, outras pagavam algumas centenas de reais em ingressos e drogas lícitas e ilícitas para se divertir ao som da mesma música. 

O problema não é a droga.

Também não é o funk.

Nem nunca foi a capoeira, o jazz, a erva.

O problema é o ego de alguns, que insistem em se achar superiores. E você, que nem se acha superior, mas também não exerce seu papel de reparador de contas, põe a mão na consciência. Quantas situações você saiu ileso porque era branco? 

O racismo é estrutural no Brasil. E por mais que os movimentos antirracistas sigam na luta, eles precisam de uma coisa muito simples: que entendamos do básico os nossos privilégios. Bora refletir e agir?


Texto: Priscila Ruzzante

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