Eu não me lembro exatamente quando comecei a entender o feminismo. Sei que que as noções básicas entraram na minha vida via uma prima socióloga que blogava sobre isso. De uma forma densa, com base editorial digna de projeto. Madrugadas à dentro e quintais afora, entendi os conceitos básicos e toda a questão do patriarcado que vivemos.  Mas esse aprendizado vai mais além. A gente começa a analisar as injustiças e perceber quantas coisas deixamos de fazer simplesmente por sermos mulher. Ou como o mundo nos vê, incentiva e explora por isso. Às ironias que esbarramos no caminho e a necessidade de provar – sempre – que sabemos o que estamos fazendo ou dizendo nos esgota a paciência e então nos tornamos às loucas.

Me parece mais fácil para essa nova geração. Vivemos agora uma sociedade que discute de forma aberta sobre como fomos e somos diminuídas pelo simples fato de nascermos fêmeas. Temos empresas como esta que me cede espaço, prontas para acolher e discutir relacionamentos abusivos, opressões, assédios. Investindo na sororidade feminista, uma irmandade cheia de empatia.   Existem livros direcionados apenas a contar a história das mulheres incríveis que fizeram a diferença na ciência, na tecnologia, na medicina, nas artes, nos esportes, na política e em tantos outros meios e que foram abafadas anteriormente.  A Disney – que criou gerações para que esperassem um príncipe aparecer e solucionar os problemas de sua vida – hoje não dá ponto sem nó feminista em todos os seus filmes. Cada história, uma abordagem. Mulheres que nunca mais esperarão ninguém para resolver o que precisam. Que não se calarão.  Criar meninas nesse mundo é mais empolgante. E acredito que criar meninos para ser pró feminismo também deve ser.  Não. Não é preciso transformar essa palavra em monstro. É verdade sim que ficamos proporcionalmente mais chatas quanto mais entendemos quão opressor o mundo é conosco. Mais chatas com o mundo, mais fortes entre a gente. Vejam bem, que sorte!  

Não queremos vingança. Nada de transformar os homens em nossas posses, queimá-los na fogueira ou assassinar apenas por ser homens.   Queremos apenas respeito e emancipação.  E é ótimo que saibamos exatamente nosso lugar de fala no mundo. Pois esse lugar não tem delimitação.  É, as mulheres não são mais as mesmas. Porque agora, somos todas pirralhas! Graças a Deusa!


Texto: Priscila Ruzzante

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