Gestar e dar à luz são experiências desafiadoras por si, sem contar com a exaustão, a privação de sono e as mudanças hormonais que são normais durante a concepção de um novo ser. A maternidade idealizada das capas de revista muitas vezes esconde sentimentos complexos e antagônicos. Junto com o amor e a alegria vem também a responsabilidade de cuidar de um ser completamente dependente, podendo trazer angústia e tristeza ao sentimento sublime de criar uma vida. Diversos são os fatores que combinados podem desencadear transtornos de humor que acometem mulheres no período perinatal (período durante a gravidez e o pós-parto).

O Baby Blues ou melancolia da maternidade acontece por volta do 2º e o 5º dia de pós-parto e geralmente desaparece espontaneamente. Cerca de 80% a 90% das mulheres tem o Baby Blues, sendo considerado, portanto, uma reação normal ao puerpério.

Diferente do Baby Blues, a Depressão Pós-parto (DPP) acomete cerca de 13% das mulheres, começa geralmente na 4ª a 8ª semana depois do parto e pode continuar, se não tratada, por mais de um ano. A mulher com DPP pode sentir irritação, vontade de chorar frequentemente, desesperança e desamparo, falta de energia e interesse sexual, alteração na alimentação e no sono e o sentimento de que não é capaz de dar conta de novas situações, além de humor instável e preocupação exagerada com o bebê. Diversos estudos observaram que essa doença pode resultar em prejuízos no desenvolvimento emocional, social e cognitivo da criança.

Alguns fatores aumentam as chances do desenvolvimento da DPP. Já ter tido depressão em outra fase da vida, estresse, ansiedade e depressão na gestação e falta de suporte social e familiar são apontados por estudos como os principais deles.

Existem também os fatores que protegem a mulher da DPP, como a participação em programa pré-natal com abordagem psicológica, relação saudável com mãe e sogra e suporte social durante a gestação e após o parto.

O tratamento da DPP pode ser feito utilizando remédios e/ou psicoterapia. O mais importante é buscar ajuda. As mães não precisam e não devem sofrer sozinhas. Elas estão desempenhando o principal trabalho da humanidade: a sua continuação. E devem dispor de toda a ajuda e suporte que precisarem para executá-lo de forma saudável e feliz. Os desafios existem e sentir medo é normal, mas se você sente que há algo errado com você ou com alguma mãe que você conhece, peça ajuda!



Texto: Priscila Buzzante



Referências:

Arrais A R, Araujo T C C F. Depressão pós-parto: uma revisão sobre fatores de risco e de proteção. Psic., Saúde & Doenças. 2017.

Dennis C-L, Hodnett ED. Psychosocial and psychological interventions for treating postpartum depression. Cochrane Common Mental Disorders Group. 2007.

SCHMIDT, E B; PICCOLOTO, N M  e  MULLER, M C. Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil. PsicoUSF. 2005.

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